Coloridos Fractais

Publicado: maio 16, 2012 em Postagens
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Na mente?
Lutam contos sem autor.
Os temas?

Balas perfuram corpos,
Derramando dor e eras pelos ventos

Pelas ruas? Passos.
Há luz e sombras nas esquinas.
Fujo(Passo) admirado com o que não vejo.

Dos olhos secos,
Das salivas a dizer Desejo,
Sonatas mudas
Saltam às bocas
Vomitando notas,
Em intervalos
Cada vez menores.

Pontos repartidos
Em todo canto
Secam também os lábios
Quando se unem em silêncio
Dizendo que não há verdades.

Revoltam-se, lá de dentro,
seres, que já não querem ser detidos.
seus gritos abafados me sufocam
Levando ao engasgo.

Retribuem-me em dor
O acolhimento e abrigo…

Ancoradouros intermináveis,
Povoados por nada vivo,
É por onde ando.
No fim/abismo, jogo-me.
Em tintas ácidas, banho-me.
Derretido? Disfarço-me
De olhares outros,
Para si também virados.

Mais um monstro na multidão.

Devoro os tempos
Mas tudo que sinto
É que apesar das dores
Adoro sonhar aos braços
De coloridos fractais…

Um abril quase janeiro

Publicado: abril 1, 2012 em Postagens

Hoje é dia, momento,
Em que ano começa.
Dentro de mim,
Tudo revira, recomeça
E minha alma
Deita sobre braços,
De outros amores
Que me motivam.

Parado, afundo,
No próprio material
De minha decomposição…
Observo as peles em que habito.

Num distante lugar,
Ao fundo, onde cosmo/vidas
Cintilam suas novas pistas,
Nascem de meus humus,
Certezas, ou melhor, incertezas,
Tão mais coloridas,
Que as castanhas e cinzas, verdades
Desses últimos anos.

Possibilidades? Estas sim…
Nunca me faltaram,
Mas um desejo de estacionar
Sempre me foi presente…
Presente, que me cobra tudo.

Dar o próximo passo, lançando-me
À natureza dessas cores
Requisita tudo o que tenho sido,
E, sem mais tempo para desperdiçar,
Atiro-me novamente a mim.
Sujeitinho de abismos,
Que só nos limiares do claro e escuro
Deleita-se em seus paradoxos,
Ultrapassando as tais barreiras,
Que nem ao menos existem.

‎A febre

Publicado: dezembro 28, 2011 em Postagens

Ao fundo? Sons que não quero ouvir.
Dormir? Pois sonhar é só desejo.
De súbito, quilômetros percorridos.
Aproximam-me deste, e não de outro,
Porvir, do qual escrevo.

Motores de carros,
Motores de motos,
Motor deste ônibus,
“Vai uma pipoca aí…?”,
(…)
Além desse calor, que me come os nervos,
Abafam os rancores do fim do dia.

Um passo, outro passo.
Do alto desço, sem diminuir.
Ponho-me a andar, distraído,
Afogo-me naqueles pensamentos.

Não distinguo tons.
Não me confortam os sons.
Das sinfonias das seis da tarde.

Coisas me chamam.
Gritam por atenção.
Surdo, penso naqueles cachos.
Seus cheiros e texturas,
Que se misturam na composição
De cada objeto que me entorna.

Não me importo com todos esses que passam.
Já que parecem filhos da mesma cor.
Ou será que meus olhos…?
Meus olhos? Andam cansados.
E, pensando bem,
Sinto-me impenetrável,
E nem sei desde quando.

Sim! São minhas essas camadas que saltam,
Mostrando-me como uma imagem febril que anda.

La Société du Spectacle

Publicado: dezembro 9, 2011 em Postagens

Quando as luzes brilham de forma tão intensa,
Que chegam a ofuscar todo o resto do ambiente,
Os animais para elas voam; carbonizando-se.

Madrugada insonhos

Publicado: novembro 30, 2011 em Postagens

Adoro a madrugada
D(n)ela sou n-ativo
Mas afogo-me no prazer
Tempo-chama
Sonos/sonhos
Proporciona.

Sobre ter asas e não voar

Publicado: novembro 16, 2011 em Postagens

Cada salto,
Todo passo, e
Meus pés afundam
Neste barro,
Que sou.

Terra úmida,
Por onde transito,
Seca, virando minha pele.
Pele que já nem sinto.

Respiro os ares pobres,
De gases que me mantém vivo.
Do pó e morte sobrevivo.
Pois viver é só memória.

Escuto vida ao fundo,
São Outros, Sons outros,
Que tentam penetrar,
Nesta alma de areia,
Abastecida de água, é rocha;
Inflamada de sol, é pó que voa.

Canto os sons dos tempos.
Nado gritando silêncios.
Com rancor? Estaciono.
Cuido de meu jardim de maus-tratos.

Tenho asas,
Mas para que me servem?

Os dias chovem,
Aumenta o peso,
Que me prende ao chão.

Nunca são só palavras

Publicado: novembro 10, 2011 em Postagens

Palavra nunca é simples.
Palavras nunca são ingênuas.
Palavras são lançadas.
Palavra é sempre violência.

Paradas elas não dizem nada,
Mas quando sopro leva,
Despertam a noite,
Desabrochando em flor.

Pobre de quem não acredita nas palavras.
Na minha incompletude,
Tento me completar delas.
Lançando-me alto, por entre elas,
Ao mundo.

Sou alçado,
Átimo de segundo,
A exalar caminhos,
Que nem imaginava.
Adentro teu mundo,
E me nutro dele.

Sou palavra jogada,
Atira-me de volta,
Nem sou mais eu,
Somos nós,
Dançantes-ébrios,
Dos ventos,
Que {des}norteiam.